capitule
Precisei viver quarenta e três anos para aprender que o coração é um oceano, marujo. Um dia o mar das emoções está calmo e límpido, e navegar é prazeroso como olhar nos olhos de quem se ama. No outro, as águas estão tão agitadas e turbulentas que é como ver a pessoa amada derramando lágrimas de dor. E ao longo do ofício de marinheiro do barco da vida, temos sempre o prazer de encontrar algumas sereias e o desprazer de enfrentar alguns monstros. Algumas vezes saímos da rota, outras quase naufragamos. Não é fácil, mas no final, quando a gente joga a âncora e finalmente desce em terra firme, dá aquela sensação de dever cumprido no peito. A gente respira fundo, fecha os olhos e se entrega, porque o navio finalmente chegou ao destino. O coração é o oceano, marujo, e a vida é a viagem que se faz nele.
Azul Ciano.  (via capitule)
acaricia
Amei aquela criatura. Amei aquela criatura com amor, com todos os amores que estão no amor, o amor divino, o amor humano, o amor bestial, como o Santo Antonino amava a Virgem, como Romeu amava Julieta, como um bode ama uma cabra. Era estúpida, era triste. Eu deliciosamente apagava a minha alegria na cinza da sua tristeza; e com inefável gosto afundava a minha razão na densidade da sua estupidez.
QUEIRÓS, Eça de. “A Cidade e as Serras”   (via acaricia)
acaricia
Não precisa de chocolates, ursos de pelúcia, anéis de compromisso, flores… O amor está nos pequenos detalhes, está dentro de cada um que o sente, está em um “você está feia hoje, mas está linda para mim” ou em uma sms que diz um simples “sinto sua falta”. O amor não está em dias especiais, em presentes para agradar depois de uma pisada feia na bola. O amor, meu caro, está na compreensão, está distância. Ele não está entre corpos, mas sim, entre dois corações.
Acaricia.  (via acaricia)